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Quando a pressa vira sintoma: o que as flores dizem sobre o tempo

A vida grita pedindo mudanças muito antes de a gente escutar. Eu sei porque comigo foi assim.

Flor do Cerrado ao amanhecer na Chapada dos Guimarães

A pressa deixou de ser um jeito de fazer as coisas.

Virou um jeito de existir.

A gente come com pressa.

Escuta com pressa.

Ama com pressa.

Descansa com pressa, olhando o relógio para ver quanto de descanso ainda cabe.

E aí um dia o corpo avisa.

O corpo avisa antes

Ele avisa baixinho primeiro.

Um sono que não descansa.

Um cansaço que o fim de semana não resolve.

Uma irritação que chega antes do motivo.

Uma vontade de chorar sem endereço.

A gente ouve, entende, e segue.

Porque parar parece luxo.

Porque tem gente contando com a gente.

Porque sempre deu para aguentar mais um pouco.

Até que não dá.

Comigo também foi assim

Eu sei disso porque comigo foi assim.

Foi somente depois que a vida gritou pedindo mudanças que esse chamado se tornou impossível de ignorar.

Não foi uma escolha corajosa e planejada.

Foi um limite.

E hoje eu compreendo que aquele limite não veio para me punir.

Veio para me devolver o tempo.

O que a natureza ensina a quem para

Aqui na Chapada, nada tem pressa.

A água leva anos atravessando a rocha.

O Cerrado queima e volta.

A flor abre no dia dela, não no meu.

Nada disso é lentidão.

É respeito por um tempo próprio.

A natureza nunca fala alto.

Ela sussurra.

E sussurro exige uma coisa só de quem quer ouvir.

Que pare.

Um convite, não uma cobrança

Não escrevi isso para dizer que você precisa largar tudo.

Quase ninguém pode.

Escrevi para dizer que talvez o seu cansaço não seja fraqueza.

Talvez seja um recado.

Se ele estiver muito grande, procure ajuda de verdade, de quem cuida de saúde. As flores caminham ao lado disso, nunca no lugar.

Mas se for possível, comece por algo pequeno.

Uma pausa.

Um silêncio.

Uma respiração inteira, sem fazer mais nada ao mesmo tempo.

Talvez ali você escute o que anda sussurrando.

Assim é!