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O Quintal das Marias e o Sistema de Essências Florais que levam seu nome

Um lugar onde desaguam os rios de quem me tornei: Terapeuta de Flores e Florais.

Liebe Lima, Terapeuta de Flores e Florais, na mata da Chapada dos Guimarães

Algumas histórias não começam no dia em que uma flor desabrocha.

Começam muitos anos antes, quando a vida vai nos ensinando, silenciosamente, a escuta.

Olhando para trás, percebo que as flores chegaram por último, mas tudo me preparou para esse encontro.

Antes delas vieram as filhas e veio a mãe.

Vieram pessoas que me deram sustentação nesta caminhada.

Vieram as comunidades.

Vieram as mulheres.

Vieram os povos indígenas.

Vieram as Comunidades Camponesas e suas avós.

Vieram os agricultores, os guardiões dos saberes das plantas e dos remédios, os guardiões das sementes, as lideranças comunitárias e tantos territórios que me ensinaram que toda transformação verdadeira nasce da escuta.

Durante mais de uma década caminhei por muitos lugares.

A música ancorou as portas da minha alma e sustentou o meu norte, para não me perder de minha essência.

A comunicação popular ampliou esse caminho.

A arte me ensinou que toda criação nasce de um encontro.

Depois vieram as experiências junto aos povos Xavante, Tapirapé, Pareci, Nambikwara e tantos outros povos do Cerrado e da Amazônia, onde participei de processos de comunicação, fortalecimento comunitário, educação popular, elaboração de planos de gestão territorial e ambiental e registro de histórias que dificilmente chegam aos livros.

Também caminhei ao lado de comunidades camponesas, coletores de sementes, redes de sociobiodiversidade e iniciativas voltadas à preservação do Cerrado e da Floresta, aprendendo que existe uma inteligência que nasce do território e da relação respeitosa entre as pessoas e a natureza.

Sem perceber, eu estava sendo preparada.

Não para criar um sistema floral.

Mas para aprender uma outra forma de ouvir.

A natureza nunca fala alto.

Ela sussurra.

Foi somente em setembro de 2025, depois que a vida gritou pedindo mudanças e de concluir um importante ciclo na gestão pública da Cultura de Chapada dos Guimarães, que esse chamado tornou-se impossível de ignorar.

Deixar a Superintendência de Cultura do município não significou abandonar uma missão.

Foi permitir que ela florescesse em outra direção.

Ali começou uma nova travessia.

Uma formação profunda em Terapia Floral.

Um mergulho na observação das flores.

Longos períodos de contemplação e sutilização da vida.

Silêncio.

Estudo.

Sintonia.

E, sobretudo, disponibilidade para reconhecer que as flores possuem uma linguagem própria.

Não fui eu quem escolheu vinte e cinco flores e vinte e cinco buquês.

Foram elas que, pouco a pouco, foram se apresentando.

Assim nasceu o Sistema de Essências Florais do Quintal das Marias.

Hoje composto por cinquenta essências vibracionais, sendo vinte e cinco Essências Florais puras e vinte e cinco Buquês Florais, construídos a partir da inteligência coletiva das flores.

Os Florais nascem de um encontro profundo com as flores.

Cada buquê representa uma conversa entre flores que compartilham uma mesma intenção de cuidado.

Mais do que aliviar sintomas emocionais, elas despertam virtudes.

Coragem.

Pertencimento.

Confiança.

Clareza.

Entrega.

Perdão.

Discernimento.

Alegria.

Presença.

Cada floral convida a pessoa a lembrar de algo que nunca deixou de existir dentro dela.

Sua própria natureza.

Mas existe algo que torna este sistema singular.

As flores não nasceram em qualquer lugar.

Elas nasceram na Chapada dos Guimarães.

E isso faz diferença.

Assim como um vinho carrega a identidade do solo onde a videira cresceu, também acredito que uma essência floral guarda a memória viva do território onde foi preparada.

A força das águas que brotam da Chapada.

O vento que atravessa os paredões.

As rochas ancestrais.

O Cerrado, um dos biomas mais antigos do planeta.

As histórias humanas que ali foram vividas.

Os povos que aprenderam a caminhar em respeito à terra.

Tudo isso compõe um campo invisível que não pode ser separado da própria flor.

Por isso, o Sistema do Quintal das Marias não pretende apenas oferecer essências florais.

Ele oferece um encontro.

Entre pessoas e natureza.

Entre corpo e alma.

Entre território e consciência.

Cada preparação nasce da presença.

Da contemplação.

Da oração.

Da escuta.

Do respeito absoluto pelo tempo da flor.

Não existe pressa quando se prepara uma essência.

Existe disponibilidade.

Talvez seja por isso que este sistema seja único.

Não porque existam poucas flores.

Mas porque nenhuma delas foi criada para repetir outros caminhos.

Elas nasceram para revelar a assinatura vibracional da Chapada dos Guimarães, passando pela minha alma para chegar no mundo.

Nasceram para traduzir, em forma de cuidado, a inteligência silenciosa do Cerrado e da mata.

E, de alguma maneira, toda a minha caminhada anterior estava preparando exatamente este momento.

Hoje compreendo que cada história registrada, cada oficina realizada, cada aldeia visitada, cada roda de conversa, cada plano construído coletivamente, cada mulher que compartilhou sua trajetória, cada guardião de sementes que me ensinou sobre o tempo da terra... tudo isso já era parte do Quintal das Marias.

As flores apenas deram nome ao caminho que a alma já percorria há muitos anos. Elas chegam com os códigos do agora, atendendo ao momento de despertar que a humanidade está pronta para viver, em comunhão com as flores e consciências divinas a serviço da luz.

Assim é!